Criança não serve para absolutamente nada que me interesse. Não trabalha, não escreve, não entende física, não sabe falar direito, não compreende a diferença entre o sim e o não. Eu ainda planejo inventar um colar que dê choque quando eles comecem a gritaria, como aquelas coleiras de cachorro. Elas bagunçam os papéis, riscam as paredes, fazem os pais ficarem envergonhados em locais públicos. É, eu odeio crianças. Trata-se de uma coisa – coisa mesmo – que só começa a ter utilidade depois dos oito anos. Mas com você eu agüentaria oito anos de noites mal dormidas, visitas periódicas a hospitais, brinquedos idiotas pela casa. Por você eu aprenderia a falar como debilmental, cantaria músicas sem sentido e quem sabe até nove meses de gravidez. Ao seu lado eu não me importaria de esperar oito anos pra assistir Harry Potter com nossa filha e depois ir ao quintal brincar com ela com meu telescópio. Eu suportaria as crises adolescentes e os vários namorados, abandonaria nossas férias na Grécia a fim de economizar pra faculdade dela. Eu deixaria de sonhar em ter um husky siberiano para ter uma criança da mulher mais linda do mundo.
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